(by Dehh)
Já conheci muita gente
Gostei de alguns garotos
Mas depois de você
Os outros são os outros
Kid Abelha
Quando bate a vontade
Eu fecho os meus olhos me vem o teu rosto
Teu sorriso meigo a tua voz, o teu gosto
Ah como eu queria poder te abraçar, te tocar
Você inspira poesia
Na hora do almoço, de noite ou de dia
Na fila do banco, no banco da praça
Esqueço do tempo nem noto quem passa
E o tempo tem hora
E o tempo não passa
Olhando pra lua na beira do lago
Não vejo a hora de estar do seu lado
Deitar no teu colo poder te acariciar
Pimentas do Reino
A primeira face do amor é a brisa. Leve. Suave. As palavras utilizadas são sempre doces e sutis. Bem-querer. Gostar. Carinho. Logo mais, é insuficiente esta demonstração de afeto que parte da brisa para uma chuva forte, tão forte quando um temporal. Ainda assim, limitamo-nos a tratar esta tempestade como uma neblina corriqueira. Especial demais. Pensamento. Carinho. Especial. Carinho. Mais-do-que-gostar. O que há entre o bem-querer e a paixão aterradora? É preciso mais do que isso pra externar aquilo que tão suavemente chegou e agora parece querer enfartar o coração. É preciso bem mais pra transmitir a vontade de querer, a vontade que não tem nome, o pensamento que lapida o cérebro e quase obstrui as artérias carótidas com o impulso primitivo do querer.
Amor é palavra suficiente pra descrever todo este turbilhão de pensamentos e sentimentos que temos certeza que uma hora serão responsáveis por um possível colapso nervoso? Desejo. Beijo? Paixão? Inexplicável. Loucura. Pensamento. Carinho. Querer, puro e simples. Algumas certezas e inúmeros questionamentos nos assolam. No nosso interior, nós sabemos o que é. Em nosso ser, nós já descobrimos uma paixão, um querer, um desejo, capazes de gerar energia nuclear. Capazes de nos levar à explosões internas. Combustão espontânea. Não encontramos mais palavras que deem noção ao que se passa em nosso cérebro confuso e transparece e que se espalha pelo coração e resto de nosso corpo. Arrepios. Beijos. Abraços. Querer. Loucura. Pensamentos. Desejo. Paixão. Amor. Porque o amor é considerada a palavra mais forte. Mas só por isso. Parece algo que nem o amor consegue abarcar. Loucura. Esta que pode ser mais intensa e irremediável que o amor. Loucura de amor. Daquelas irremediáveis, inacabáveis, que não se perdem com o tempo, que não se perdem na memória. A maior de todas as insanidades. Ainda assim não considerada doença, somente se não for correspondida. Porque em amor correspondido dá-se jeito. Mas em loucura de amor não.
Eis que quero pra mim, a loucura de amar. Aquela que não é doença. Aquela totalmente insana, que dá a impressão de morte e renascimento dia após dia. Que torna as pernas bambas, as mãos frias, arrítmico o coração. Que traz trombose a boca, pois esta já não para de sorrir. Que torna inesgotável a produção de lágrimas de felicidade. Eu quero aquela loucura de amar dos romances épicos, aquela que de tudo é capaz. A única que te fará sentir o que é realmente estar vivo, arriscar-se, jogar-se do precipício. É a mesma que te trará gaivotas no estômago, porque borboletas são leves demais. É aquela que te fará arrancar os cabelos de saudades, trincar os dentes e gritar enfurecidamente com o destino se ele não lhe for favorável. Mesmo a loucura de amar nunca consumada, quando recíproca, é o melhor dos sentimentos porque o faz experimentar todos outros sentimentos de forma vulcânica, ardente, cálida, incandescente! E tudo isso misturado com a calmaria, a paz do (re)encontro. Não posso explicar mais. Tens que viver pra saber. Fui acometida pela loucura de amar, não quero que me normalizem. Viverei e morrerei assim com prazer. Deixo aqui, pois, meu elogio à loucura de amar e parto em busca daquele que é motivo de minha insanidade.
Rachel Phanuelly